quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

DEL- DISTÚRBIO ESPECÍFICO DA LINGUAGEM

TEXTO ESCRITO E CORRIGIDO POR UMA PACIENTE DE DISTÚRBIO ESPECÍFICO DA LINGUAGEM, HOJE COM 27 ANOS.

Como foi a minha formação
Eu era uma criança completamente normal que tirava boas notas no Jardim de Infância, até que chegou a alfabetização e não conseguia entender aquele código. Eram vários sons que eram representados em um desenho que se chamava letra: Nossa! Não conseguia ter uma lógica, uma associação para conseguir aprender. Outro problema para mim era na fala, trocava todos os sons, como era difícil falar “secretária”! Eu sabia que eu não tinha a mesma capacidade de aprendizado na fala e na escrita do que uma criança convencional, mas sabia que no fundo era inteligente e que um dia todos iriam reparar.
Sem saber o porquê da minha dificuldade fui buscar ajuda, meus pais me colocaram em Fono, Psicóloga e em bons colégios. Ninguém sabia o que eu tinha, nem a minha antiga Fono. Fiz testes de surdez, fiz teste de QI e tudo dava normal, ou um pouco acima da média. Resultado disso, não tive outra solução a não ser aceitar minha deficiência e encará-la de frente. Demorei 2 anos e meio para conseguir me alfabetizar, e mesmo quando eu aprendi a ler ainda tinha muita dificuldade. Eu gaguejava muito, e como minha professora da 4ª série sempre pedia para eu ler na frente da sala.la dava bronca em quem fazia Bulling e mandava repetir até conseguir. Me lembro quando eu consegui entender todas aquelas letras das placas de sinalização, ainda não tive maior satisfação, fiquei tão feliz! Eu percebi que apesar de muito esforço eu estava lendo e escrevendo, e quanto m ais eu treinava mais eu conseguia aprender. Aquilo me deu tamanha satisfação que lembro de estudar 8 horas por dia todos os dias para conseguir tirar 7 ou 8.
Tive que ser extremamente organizada para mapear tudo aquilo na minha cabeça. Acabei saindo da Fono e da Psicóloga porque não via melhora.
Infelizmente não me deram os exercícios adequados que me ajudassem. Comecei a decorar todas aquelas letras e sons. Desenvolvi um método próprio para conseguir associar a palavra à figura, exemplo: “cavalo” se escrevia “cavalo” e associava ao som “cavalo” e a imagem do animal. Um processo demorado e cansativo, mas que consegui vencer meus obstáculos. Depois de anos fui entender que o “c” com “a” faz o som de “ca”.
Eu descobri que tenho Distúrbio Específico de Linguagem (DEL) com 25 anos em 2012. Apesar de ter vencido várias dificuldades eu ainda tinha muita dificuldade para me expressar. E ao formar frase, eu ainda pensava de trás para frente, exemplo: eu pensava “sua casa eu vou”, posteriormente reestruturava e falava “eu vou para sua casa”, e quando eu lia um texto precisava reler três ou quatro vezes para ter a compreensão do mesmo.
Há um ano e meio que estou fazendo Fono e todos já comentaram que estou me expressando muito melhor, você tem sempre que estudar para não regredir e melhorar sua fala e escrita. Aprendi inglês tarde, com 20 anos, e precisei morar um ano na Nova Zelândia para pegar fluência, faz 7 anos que estudo inglês e não sou fluente, mas consigo me comunicar muito bem.
Normalmente as pessoas me perguntam: “Nossa! Como você lidou com isso? Você era apenas uma criança e não tinha o tratamento apropriado, e ainda parecia ter problemas com sua autoestima”. Sinceramente não foi bem assim até os 24 anos, eu sempre achei que fosse burra mesmo, e para ninguém descobrir isso, me dediquei muito além do normal. Quando descobri que tinha “DEL” fiquei muito aliviada e falei para todo mundo: “Viu! Sabia que não era falta de inteligência, eu só raciocino de uma forma diferente”.
Até os meus 24 anos eu lidava como se fosse uma deficiência, como se eu fosse uma pessoa limitada na linguagem e sempre que alguém ria de mim eu pensava: pelo menos estou fazendo essa pessoa feliz e descontraindo o ambiente. Desde que me entendo por gente eu era motivo de piada e fiz questão de reforçar o meu cargo de palhaço na vida. Comecei a notar que poucas pessoas tinha a capacidade de ser espontânea, queria fazer com que os outros rissem e fazer as pessoas felizes perto de mim. Acabei descobrindo que para você ser amado e aceito na sociedade basta você ser você mesmo e aceitar suas limitações e não escondê-la, e trabalhando-as para sempre melhorar como pessoa e profissional. Hoje trabalho em uma grande empresa, já me graduei e atualmente faço pós de gerenciamento de projeto na FGV e pretendo fazer mestrado fora do país.

Aprendi a lidar com medo para me impulsionar para frente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Estudos sobre a Gagueira



O segredo que se esconde na matéria branca
Exames modernos de neuroimagem estão permitindo decifrar um dos mais antigos mistérios da humanidade: a gagueira.
Por Kate Watkins *


Nos últimos anos, com o aperfeiçoamento dos métodos de neuroimagemamento, cada vez mais estudos científicos começaram a descobrir diferenças físicas na organização do cérebro de pessoas que gaguejam. Até pouco tempo atrás, a grande dúvida era saber se essas diferenças eram resultado do convívio com a gagueira ou se elas já estavam presentes desde a infância. Dois estudos recentes ofereceram respostas a esta dúvida. A pesquisadora Kate Watkins, autora do texto abaixo, é a líder de um desses estudos.

No começo de 2008, dois grupos de pesquisa sobre gagueira publicaram estudos de neuroimagem em jovens adultos, adolescentes e crianças que gaguejam. Esses estudos revelaram anormalidades funcionais e estruturais no cérebro dessas pessoas. O objetivo deles era fornecer um melhor entendimento das causas da gagueira e ajudar a explicar por que algumas crianças recuperam-se da gagueira, enquanto outras continuam a gaguejar. Considerando o resultado dos dois estudos em conjunto, estamos começando a responder estas perguntas.
Em nosso artigo, publicado na revista Brain, descrevemos diferenças na organização física das conexões entre algumas áreas do cérebro em um grupo de adolescentes e pessoas jovens que gaguejam (com idade variando de 14 a 27 anos). Essas diferenças explicaram por que este grupo de pessoas exibia uma atividade reduzida em algumas regiões do córtex cerebral durante a produção de fala.
Outro grupo de pesquisadores (Chang et al.) publicou descobertas muito similares na revista NeuroImage. Estudando crianças na faixa etária de 9 a 12 anos, eles descobriram que, no grupo com gagueira persistente, as conexões de matéria branca estavam rompidas na mesma região identificada em nosso estudo. Já no grupo constituído por crianças que tinham se recuperado da gagueira, a matéria branca estava íntegra. Eles também encontraram mudanças no volume da matéria cinzenta cortical, tanto em crianças com gagueira persistente quanto em crianças que tinham se recuperado da gagueira, e apontaram diferenças em relação ao cérebro de adultos que gaguejam.

CONEXÕES PARTIDAS
Esses estudos usaram aparelhos modernos de ressonância magnética, que fornecem imagens mais detalhadas da estrutura do cérebro com base no movimento dos átomos de hidrogênio das moléculas de água. Tanto em nosso estudo quanto no de Chang, utilizou-se um novo tipo de ressonância, conhecido como imageamento por tensor de difusão (DTI ressonance), para investigar a organização das conexões de matéria branca no cérebro. A matéria branca é responsável pela conexão entre as diversas áreas do sistema nervoso central. Ela é chamada de branca porque é constituída principalmente por um tecido gorduroso conhecido como mielina. Este revestimento gorduroso fornece isolamento para as fibras que conectam as diferentes regiões do cérebro e também aumenta a velocidade de transmissão dos sinais elétricos entre essas regiões. Em razão de o tecido ser gorduroso, as moléculas de água não têm liberdade total de movimento na matéria branca. A restrição para a mobilidade das moléculas ocorre principalmente na direção perpendicular ao feixe de fibras, e menos na direção longitudinal (ao longo do comprimento do feixe). Assim, ao medir os diminutos movimentos das moléculas de água, podemos obter imagens que mostram como as fibras estão orientadas.
Ambos os estudos descobriram que os feixes de fibras normalmente bem alinhados que conectam as áreas do cérebro envolvidas na produção de fala estavam rompidos em pessoas jovens que gaguejam. Esta ruptura provavelmente reduz a eficiência da comunicação entre as áreas envolvidas no processamento da fala.

MEDINDO A ATIVIDADE
A atividade no cérebro ocorre junto aos corpos celulares dos neurônios, localizados na matéria cinzenta. Na superfície do cérebro, a matéria cinzenta forma uma estreita camada de cerca de meio centímetro de espessura chamada córtex. Mais profundamente no cérebro, também encontramos matéria cinzenta em regiões chamadas “núcleos”, como nos núcleos da base. Em nosso estudo, além de um exame de ressonância para avaliar a estrutura do cérebro (DTI ressonance), usamos também outro tipo de ressonância, a FMRI (ressonância magnética funcional), para investigar a atividade no cérebro enquanto as pessoas produziam fala. Este tipo de exame de imagem detecta mudanças na quantidade de oxigênio transportado no sangue para o cérebro. Quando uma área do cérebro está ativa, ela precisa de mais oxigênio e mais fluxo sanguíneo. A ressonância magnética funcional mostra como esses padrões de atividade cerebral mudam enquanto a pessoa está falando.
Nosso estudo descobriu que, durante a produção de fala, as pessoas que gaguejam mostraram atividade aumentada em áreas do cérebro que não são tipicamente usadas pelo grupo-controle formado por pessoas fluentes. Algumas dessas regiões estavam no hemisfério direito, e outros estudos sugerem que esta atividade reflete um processo de compensação da gagueira. Também encontramos atividade aumentada em pessoas que gaguejam numa região do mesencéfalo, na altura da substância negra. Os núcleos de massa cinzenta nesta região profunda são parte dos núcleos da base, um conjunto de estruturas envolvidas no controle e na iniciação do movimento. A atividade extra nesta região em pessoas que gaguejam é consistente com as sugestões de estudos anteriores de que a gagueira se deve a uma função anormal dos núcleos da base ou a quantidades anormais de dopamina.
Outra descoberta interessante em nosso estudo foi que pessoas que gaguejam apresentam uma atividade reduzida em uma parte importante do sistema normal de produção de fala. Esta região – o córtex pré-motor ventral – fica imediatamente acima da área em que fibras de matéria branca estão rompidas, conforme revelado pelo estudo de difusão. É provável que a atividade na região esteja reduzida devido a um rompimento da conectividade normal e da comunicação eficiente com outras regiões do cérebro que são importantes para a produção de fala fluente.

MATÉRIA CINZENTA
Chang e seus parceiros de pesquisa também encontraram diferenças no volume da matéria cinzenta em partes do córtex envolvidas na produção e percepção da fala em crianças que gaguejam. Eles encontraram menos matéria cinzenta perto do córtex pré-motor ventral, onde havíamos detectado uma atividade reduzida. Além disso, também encontraram menos matéria cinzenta em regiões que são normalmente ativadas quando se escuta a fala (os lobos temporais). Essas diferenças em volume de matéria cinzenta estavam presentes até mesmo em crianças que tinham se recuperado da gagueira. [N.T.: ou seja, ao contrário das diferenças na matéria branca, que são diacríticas para a gagueira persistente, as diferenças no volume de matéria cinzenta não são um bom prognosticador para a persistência ou remissão da gagueira em crianças].  
Ao contrário dos estudos feitos em adultos que gaguejam, nenhum aumento na matéria cinzenta foi encontrado no hemisfério direito das crianças. Isso sugere que, em adultos que gaguejam, algumas
das diferenças verificadas podem ser conseqüência do longo convívio com a gagueira. 
É importante entender mais sobre as causas das diferenças na estrutura e função cerebral associadas à gagueira. Algumas dessas diferenças podem refletir estratégias compensatórias que fazem uso de uma outra função para controlar a fala, ou que usam regiões do cérebro fora do sistema desconectado pelos feixes rompidos de matéria branca, e que não são normalmente usadas no cérebro de pessoas fluentes. Esta idéia é apoiada pelas descobertas sobre o volume da matéria cinzenta, no estudo de Chang. Por outro lado, algumas diferenças poderiam ser de fato a causa fundamental da gagueira e podem estar relacionadas a variações genéticas ou incidentes ao longo do desenvolvimento.
Pesquisas adicionais, particularmente estudos longitudinais, começando nos primeiros anos de vida, podem ajudar a lançar luz sobre essas questões.




Referências:
􀂄- Chang, SE et al (2008). Brain anatomy differences in childhood stuttering, NeuroImage 39(3):1333-44.
- 􀂄Watkins, KE et al (2008). Structural and functional abnormalities of the motor system in developmental stuttering. Brain 131(Pt 1):50-9.
 Sobre núcleos da base e dopamina, veja p.ex. http://www.gagueira.org.br/nucleosdabase.pdf

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Distúrbio da fala em criança pode afetar o rendimento escolar - Crefono

Distúrbio na fala da criança pode afetar rendimento escolar

A dificuldade de falar as palavras corretamente pode afetar a auto-estima da criança e comprometer o rendimento na escola, principalmente quando essa criança vira alvo de brincadeiras dos amigos. 

Quanto mais cedo os pais procurarem ajuda, melhor para o tratamento dos filhos. O Bom Dia Rio conversou com uma especialista sobre o assunto.

Cada nova palavra uma comemoração. “Flor”.Toca aqui, flor, muito bem! Arvore de Natal, fala Guilherme. Guilherme tem 4 anos. Há nove meses, uma vez por semana, ele se trata com a fonoaudióloga Ana Paula Melo.

A avó acompanha as sessões.“Ele realmente começou a falar muito depois do esperado. Ele falava pouco e errado, tinha muita preguiça de falar, a gente falava com ele e ele não correspondia”, conta.

O menino tinha duas dificuldades: a demora na fala associada a dislalia. São crianças que falam pouco, o que a gente chama de atraso de linguagem, uma criança de quatro cinco anos, falando como se tivesse dois, a pobreza de vocabulário e dificuldade de formular frases completas, isso é o atraso de linguagem, ou então o que a gente chama de dislalias: fonética, fonológica, troca de sons na hora de falar. Então a gente tem o caso clássico de trocar o "r" pelo "l" , em vez de falar fruta fala fluta ou omite a letra”, explica Ana Paula.

Para ajudar Guilherme , exercícios. Até soprar bolinhas de isopor ajuda. Mas os pais também têm papel importante neste tratamento. Fora do consultório são eles que vão ajudar o filho a se transformar, quem sabe, num tagarela.

-Evite o uso de bicos artificiais, como chupeta e mamadeira. Eles atrapalham a articulação das palavras e a criança acaba falando errado;

- Procure conversar sempre como seu filho. Mesmo quando ele for bebê. Observando a fala dos adultos ela vai se sentir estimulada a se expressar também;

- Outra dica: mastigar ajuda a criança a falar de forma correta.

A mastigação então ajuda a desenvolver criança se comunicar de forma correta.“A mastigação é fundamental é uma das principais experiências que a criança tem que ter desde cedo para desenvolver o que a gente chama de órgãos fono articulatórios. Mastigar bem, respirar bem, engolir bem é fundamental pra criança mais para frente se comunicar, falar bem”, orienta a fonoaudióloga.

A dificuldade em se comunicar acabou trazendo outros problemas para Daniel de 6 anos. “Várias vezes e não queria ir para o colégio porque os amiguinhos estavam rindo dele e ele ficava afastado, os colegas ficavam de brincadeira, trocava o r pelo l e eles achavam engraçado”, diz Daniela Rocha, mãe de Daniel.

A mãe conta que resolveu procurar ajuda com uma fonoaudióloga e deu resultado. “Ele mesmo se corrige e fala que falou errado aí vai e fala certo, o convívio com os coleguinhas melhorou 100%”.

Daniela dá um conselho importante. “Tem mães que têm vergonha de dizer que e o filho fala errado. Eu não tive vergonha fui atrás e constatei cedo. Tem que enfrentar para o bem deles, com certeza”. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

EXERCÍCIOS CORRIGEM LÍNGUA PRESA E LÍNGUA SOLTA


Exercícios vocais melhoram a fala e corrigem língua presa e língua solta

A língua é responsável por importantes funções do corpo, como a fala.
Problemas, como a língua presa ou solta, podem atrapalhar essas funções.

Do G1, em São Paulo

A língua é uma parte importante do corpo, com diversas funções importantes, como falar e mastigar, por exemplo. Mas existem alguns problemas que podem atrapalhar essas funções, como a língua presa e a língua solta.
No Bem Estar desta terça-feira (4), a fonoaudióloga Leny Kyrillos mostrou que, com alguns exercícios vocais, esses problemas podem ser tratados e até mesmo corrigidos. Além disso, alguns exercícios podem ajudar também a melhorar a fala de pessoas que não têm nenhum desses problemas.
Arte Língua Bem Estar Certo (Foto: Arte/G1)
Além das funções importantes da língua, ela também pode influenciar na postura. Segundo a dentista e especialista em ortopedia funcional do maxilar, Gorete Yacoub, quando a língua se espalha pela boca, ela empurra a mandíbula e a cabeça para a frente.
Se a língua fica para trás, acontece o contrário e a pessoa pode ficar levemente curvada. A língua que chega mais à frente puxa também a laringe e a pessoa pode falar com o som mais agudo. O exercício para corrigir a posição da língua é sugá-la no céu da boca e puxá-la para trás, como mostrou a fonoaudióloga Leny Kyrillos.
No caso da língua presa, além dos exercícios, há também a possibilidade de cortar o freio lingual. A alteração é genética e deve ser investigada principalmente se alguém da família já tiver o problema. Ela aparece desde o nascimento e dificulta os movimentos da língua da criança. Esse problema traz dificuldades durante a amamentação, além de prejudicar no futuro também mastigar, engolir, lamber, beijar e, principalmente, falar.

O contrário também pode acontecer, ou seja, os dentes tortos podem atrapalhar o posicionamento da língua. Geralmente, quem tem esse problema costuma dormir com a boca aberta porque tem dificuldades para fechá-la.
Já a língua flácida empurra os dentes e pode desenvolver problemas como a mordida aberta, a mordida fechada e a mandíbula projetada para a frente.
Para evitar a flacidez da língua, os médicos recomendam que, desde a infância, as crianças comam alimentos mais sólidos, que exigem a mastigação. Isso ajuda a estimular o tônus da bochecha e da língua. A amamentação é importante também para estimular a sucção.
O Bem Estar mostrou que atualmente existe um teste feito nos bebês para identificar precocemente algum problema na língua e, caso seja recomendação dos médicos, essa criança pode cortar o freio para corrigir esse problema.
Mas, segundo a dentista e especialista em ortopedia funcional do maxilar, Gorete Yacoub, só a cirurgia não resolve - é preciso também fazer os exercícios fonoaudiológicos.
Como tratamento, a ortopedia funcional do maxilar usa aparelhos móveis, que estimulam a deglutição, a mastigação e a fala. Quando essas funções estão equilibradas, há naturalmente uma melhora na respiração. Esses aparelhos são desenhados pela especialista de acordo com a necessidade do paciente e serve para mudar a postura da mandíbula, colocando-a para frente ou para trás, alargar a arcada dentária, e posicionar a língua corretamente.
A dificuldade para engolir também pode ser um problema na língua. Nesse caso, é feito o exame chamado deglutograma.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gagueira


Neurociências > Artigo especial sobre gagueira na revista Cerebrum
Artigo-especial-gagueira-revista-Cerebrum-PDFO que a neurociência já sabe sobre a gagueira? O que ela ainda não sabe? Que ferramentas
os pesquisadores estão usando para sondar a estrutura e o funcionamento do cérebro na 
gagueira? O que o futuro reserva? Neste abrangente artigo especial da revistaCerebrum, 
a neurocientista e fonoaudióloga Soo-Eun Chang (Ph.D.) explica os avanços científicos mais
importantes que estão ajudando a reduzir o desconhecimento sobre o distúrbio e a desfazer
os mitos que ainda cercam sua origem.

http://www.gagueira.org.br/conteudo.asp?id_conteudo=257

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Estimulação cerebral não invasiva

Estimulação cerebral não invasiva é arma para melhorar cognição

O Globo
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CHICAGO, EUA — Uma das experiências mais frustrantes para os pacientes que sofrem um derrame é a inabilidade de falar e encontrar as palavras certas mesmo quando eles sabem o que querem dizer. A terapia para resolver ou amenizar o problema pode durar meses. Novas pesquisas, porém, prometem alívio mais rápido, por meio de uma técnica não invasiva de estimulação cerebral, para estes e outros problemas de cognição. É a ETCC, estimulação transcaniana com corrente contínua. Os resultados de trabalhos feitos por pesquisadores de diferentes países, inclusive o Brasil, foram apresentados nesta segunda-feira, durante o encontro anual da Sociedade de Neurosciência Cognitiva, em Chicago. Eles abrem a possibilidade de se melhorar signitivamente uma série de habilidades: da fala à memória, passando pelo raciocínio matemático.

— A estimulação cerebral não invasiva é um método indolor, barato e, aparentemente, seguro de melhorar a cognição, e seu efeito é potencialmente de longo prazo — diz Roi Cohen Kadosh, da Universidade de Oxford.

Na ETCC, os cientistas aplicam ao cérebro do paciente correntes elétricas de baixa voltagem, por meio de eletrodos e por um período curto; 20 minutos, por exemplo, dependendo do objetivo. A corrente passa pelo crânio e altera a atividade neural espontânea. Alguns tipos de estimulação reanimam os neurônios; outras, reprimem-nos. Os pacientes normalmente sentem apenas um leve formigamento, por menos de 30 segundos. E os efeitos podem durar mais de um ano, diz Cohen Kadosh, provavelmente devido a mudanças moleculares e celulares que são importantes no processo de aprendizado e para a memória.

Paulo Sérgio Boggio, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, usou a ETCC para melhorar a memória de pacientes com Parkinson e Alzheimer. Suas pesquisas indicam que a técnica também poderia melhorar a memória de pessoas saudáveis.

No estudo com pacientes que sofrem do mal de Alzheimer, Boggio procurou saber quantas sessões de ETCC seriam necessárias para melhorar a memória e o reconhecimento visual dos voluntários. Sua equipe aplicou-lhes cinco sessões consecutivas de ETCC para estimular duas diferentes áreas do cérebro envolvidas em coordenação motora, organização e normatização. O reconhecimento visual dos pacientes melhorou 18%, e os efeitos duraram um mês. Num estudo semelhante, com pessoas que têm mal de Parkinson, a memória melhorou 20%.

— Estes estudos demonstram o potencial da ETCC para a melhora da memória em idosos com Parkinson e Alzheimer e abrem as portas para que se examine possíveis efeitos de longa duração em trabalhos futuros — diz o pesquisador brasileiro. — É importante entender que estas ferramentas ainda estão no nível da pesquisa, mas, ao mesmo tempo, têm mostrado resultados promissores, com algumas vantagens: são baratas, simples de aplicar e tem efeitos colaterais reduzidos.

Jenny Crinion, da Universidade de London, que é neurocientista e trabalha com terapia da fala, quer usar a ETCC para ajudar os pacientes de derrame a recuperar sua capacidade de comunicar seus pensamentos por meio do discurso. Ela combina o método de terapia da fala com a ETCC.

Num estudo, Jenny quis saber como a ETCC afeta as áreas do cérebro envolvidas na produção do discurso. Os pacientes foram submetidos a seis semanas de tratamento com a técnica, ao mesmo tempo em que eram convidados a fazer reconhecimento de imagens de figuras simples, como um carro, e nomeá-las o mais rapida e acuradamente possível.

Os resultados mostraram que a técnica é eficaz para melhorar o discurso tanto de idosos saudáveis quanto de pessoas que sofreram derrames, e estão ajudando a identificar que partes do cérebro devem ser estimuladas.

— Meu trabalho mostra que a ETCC pode ser usada para estimular a área afetada pelo derrame e otimizar a recuperação — diz Jenny, acrescentando que é preciso fazer mais estudos para garantir que a técnica pode beneficiar todas pessoas. — O que mais me impressionou é como o cérebro continua plástico, adaptável e mutável ao longo de toda a vida, inclusive nos casos de pessoas que sofreram derrames.

Na Universidade da Califórnia, Cohen Kadosh aplicou a ETCC para tentar melhorar o raciocínio matemático dos voluntários. Seu estudo mostrou que isso é possível, quando se aplica a técnica à parte do cérebro chamada de córtex parietal posterior. A melhora no desempenho que ele observou durou seis meses e foi relativa especificamente ao material estudado pelos participantes.

Kadosh também testou os efeitos da ETCC em pessoas com pouca habilidade numérica devido a fatores congênitos. Nestes pacientes, a técnica só foi efetiva quando alvejou regiões diferentes daquelas alvejadas nos cérebros de pessoas que não tinham o problema.

— Isto sugere que pessoas com discalculia recrutam áreas diferentes do cérebro para processar números, provavelmente devido a uma reorganização do cérebro — observa.

Ele diz que há pesquisas usando ETCC também para tentar melhorar o aprendizado de crianças que têm pouca habilidade com números.



Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/estimulacao-cerebral-nao-invasiva-arma-para-melhorar-cognicao-4481511.html#ixzz1rYWifp1J