quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Depoimento de Roseli Fetzner Pucci - Portadora de ELA

Para você entender como enfrento e supero as enormes dificuldades do meu dia-a-dia, estou enviando um depoimento que fiz sobre minha relação com a ELA. Na realidade, a minha luta maior sempre foi conseguir manter a serenidade e ser feliz, apesar da ELA, de tudo e de todos.
Já não tento mudar o mundo, as coisas ou pessoas, hoje me limito a fechar os olhos e pedir a Deus para que minha postura positiva diante dessa patologia tão grave e sem cura sirva como agente transformador. Que através da minha lição de vida e do exemplo de amor incondicional do Afonso e da Carol, consigamos espalhar uma sementinha de amor no coração daqueles que estão abertos para aprender, evoluir e mudar.
Sinta-se à vontade para repassar meu depoimento para teus familiares e amigos, ou publicar no seu blog, pois meu objetivo é compartilhar minha experiência e mostrar a todos que a vida vale a pena ser vivida de forma plena e que a fé, o amor e o apoio familiar são fundamentais.
Espero que ao ler meu depoimento você possa renovar suas esperanças e reconfirmar que vivendo com fé tudo se torna mais fácil.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Uma carta aberta sobre ELA
29 de abril de 2010
Tony Judt
Como muitos de vocês sabem, eu sou portador de esclerose lateral
amiotrófica (ELA), mais conhecida como doença de Lou Gehrig. Há um
ano estou confinado em uma cadeira de rodas e dependente de um aparelho
de respiração. Isso não me impediu de trabalhar, mas a doença é
progressiva e fatal, e não há nenhuma cura conhecida.
ELA é uma doença neuromuscular degenerativa do neurônio motor: ela
está relacionada ao mal de Parkinson e Alzheimer, bem como distúrbios
neurológicos menos conhecidos. A cura para ela certamente virá de
pesquisas no campo das células genéticas - através da pesquisa de célulastronco
ou a biologia molecular. Mas a ciência é complicada e cara. A fim
de obter financiamento, nós precisamos atrair a maior atenção possível para
esta doença mortal e seu impacto.
Estou escrevendo para você hoje sobre o movimento para a ELA.
Meu ex-aluno e jovem amigo Saul Goldberg está planejando circular com
Augustin Quancard de Seattle a Nova York para chamar a atenção para a
ELA e para levantar dinheiro para o Projeto ELA, que apóia a pesquisa
científica buscando uma cura para esta doença.
Estou muito entusiasmado com o Movimento para a ELA, tanto porque eu
apoio ardentemente os seus objetivos e porque estou extremamente
impressionado com o profissionalismo e seriedade dos dois rapazes
envolvidos. Eles criaram uma grande campanha no site
(www.moveforals.com), que já atraiu a atenção e o apoio da Web e mídia
impressa, bem como o apoio de organizações médicas profissionais.
Eu sou inteiramente a favor desta empresa e exortá-lo a se juntar a mim. Se
você acessar o site, você verá como é fácil fazer uma doação para a causa,
com os presentes atraentes na oferta para os doadores substanciais. Ou você
poderia simplesmente enviar um cheque com referência clara ao
movimento da ELA para: Projeto ELA, 3960 Broadway, Suite 420, New
York, NY 10032, E.U.A.. Ficaria muito grato e tomaria isso como um sinal
de apoio se você transmitir esta carta a todos os interessados. Se você tem
acesso direto aos meios de comunicação ou estabelecimentos Web (por
exemplo, blogs), onde você poderia dar mais publicidade para a nossa
campanha, isso seria especialmente útil para nós. Saul está fazendo uma
enorme contribuição pessoal para o desafio colocado por esta doença
catastrófica: por favor, faça tudo o que puder para apoiá-lo.
Tony Judt New York City

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Processamento Auditivo Central

O que é Processamento Auditivo?
Processamento Auditivo (PA)é o conjunto de processos e mecanismos que ocorrem dentro do sistema auditivo em resposta a um estímulo acústico e que são responsáveis pelos seguintes fenômenos: localização e lateralização do som, discriminação e reconhecimento de padrões auditivos, aspectos temporais da audição, incluindo resolução, mascaramento, integração e ordenação, performance auditiva com sinais acústicos competitivos e com degradação do sinal acústico (ASHA, 1995).

Características dos indivíduos com Transtorno do PA

dificuldade em compreender a fala na presença de ruídos e/ou em grupos;

tempo de atenção curto;

ansiedade e estresse quando escuta;

facilmente distraído;

dificuldade em seguir direção;

dificuldade para lembrar informações auditivas;

pior habilidade de fala, linguagem escrita e/ou leitura;

comportamento impulsivo;

dificuldade de organização e seqüencialização de estímulos verbais e não-verbais;

utilização de pistas visuais para compreender a mensagem falada;

tempo de latência aumentado para emissão de respostas;

respostas inconsistentes aos estímulos auditivos recebidos.

Um transtorno no processamento auditivo só pode ser detectado por meio de testes específicos que avaliem a função auditiva central.
A queixa mais característica do transtorno do processamento auditivo, entretanto, é a dificuldade para ouvir em ambientes acústicos desfavoráveis (ruidosos, com vários interlocutores ou com distorção da mensagem falada), na presença de avaliação audiológica básica dentro da normalidade.

Bateria de Testes Comportamentais que Avaliam o PA

Monaurais de baixa redundância: avaliam a habilidade do ouvinte de realizar o fechamento auditivo, a figura-fundo e a discriminação quando uma parte do sinal auditivo está distorcida ou ausente (redundância extrínsica reduzida, isto é, a redundância do sinal de fala está diminuída em virtude da modificação das características do sinal de fala).. Exemplos: Teste de Fala no Ruído, PSI -Teste Pediátrico de Inteligibilidade de Fala com Mensagem Competitiva Ipsilateral, SSI – Teste de Identificação de Sentenças Sintéticas, Teste de Fala Filtrada.

Dicóticos: envolvem a apresentação de estímulos diferentes simultaneamente às duas orelhas. Avaliam a integração e a separação binaural, ou seja, a habilidade do ouvinte para repetir tudo o que ouviu ou para dirigir a atenção para uma só orelha. Exemplos: SSW – Teste de Dissílabos Alternados; Dígitos Dicóticos; CES - Sons Ambientais Competitivos.

Processamento Temporal: avaliam as habilidades auditivas de ordenação, discriminação, resolução e integração temporal.. Exemplos: PPST – Teste de Reconhecimento do Padrão de Freqüência; DPST – Teste de Reconhecimento do Padrão de Duração; RGDT – Teste de Detecção de Intervalo Aleatório.

Interação Binaural: avaliam a habilidade do sistema nervoso auditivo central para processar informação díspar, mas complementar, apresentada às duas orelhas. Diferente dos testes de escuta dicótica, as informações apresentadas à cada orelha constituem juntas a mensagem completa, necessitando a integração das duas para que o todo seja percebido.. Exemplos: MLD – Limiar Diferencial de Mascaramento; Teste de Fusão Binaural.

Avaliação eletrofisiológica
Pode ser utilizada como complemento da avaliação comportamental do PA e pode incluir os seguintes procedimentos:

Potenciais Auditivos Evocados do Tronco Encefálico (PAETE): medida objetiva da transmissão dos sinais acústicos no tronco cerebral. Ocorre aproximadamente até 10 milisegundos após a apresentação do estímulo.

Potenciais de Média Latência (MLR): medida objetiva da transmissão dos sinais acústicos na região talâmica. Ocorre aproximadamente de 10 a 90 milisegundos após a apresentação do estímulo.

Potenciais de Longa Latência (P300 e MMN): avaliam os centros auditivos corticais.

A Avaliação Muldisciplinar do PA
A avaliação do processamento auditivo é multidisciplinar. O médico pediatra pode auxiliar a detecção de possíveis doenças que possam causar os mesmos sintomas, bem como avaliar o crescimento e o desenvolvimento neuropsicomotor; o médico otorrinolaringologista pode determinar se o indivíduo tem um problema auditivo e indicar a avaliação audiológica quando necessário; o fonoaudiólogo especialista em audição investiga a função auditiva central por meio de testes; o fonoaudiólogo especialista em linguagem pode avaliar a compreensão e a linguagem expressiva; o psicólogo pode fornecer informações sobre problemas cognitivos ou comportamentais que possam contribuir com o quadro. As várias medidas usadas por estes e outros membros da equipe poderão sugerir processamento auditivo deficiente.

Finalidades da avaliação do PA

determinar ou não a presença de habilidades auditivas deficientes;

descrever os parâmetros e extensões destas alterações;

fornecer informações sobre o local da disfunção no sistema nervoso auditivo central, no indivíduo adulto;

ressaltar as habilidades preferenciais para a aprendizagem;

estabelecer diretrizes e critérios que possam auxiliar na elaboração de um programa de reabilitação.

Quem se beneficia da avaliação comportamental do PA

indivíduos com idade superior a 7 anos (Beck, 2002), sendo que os testes poderiam ser aplicados com cautela na interpretação em crianças com 5 ou 6 anos;

indivíduos com audição periférica suficiente, isto é, média tonal até 40dB NA com simetria de limiares entre orelhas e I.P.R.F. de no mínimo 70% e a diferença do índice entre as orelhas não exceda 20% (KATZ, 1994);

indivíduos com nível de atenção que permita a realização dos testes;

indivíduos com função cognitiva que permita a realização dos testes;

indivíduos com habilidades de linguagem receptiva e emissiva (desenvolvimento suficiente para compreender as tarefas verbais solicitadas e produção de fala inteligível);

indivíduos com integridade da orelha média.

(Re)habilitação
A (re)habilitação do indivíduo com transtorno do PA deve ser planejada e realizada por diferentes profissionais (fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo) baseando-se nas necessidades individuais de cada paciente dependendo da natureza, das manifestações funcionais e do grau do problema. Envolve a modificação ambiental, para garantir o acesso à informação auditiva, a intervenção direta, que se trata do uso de técnicas que trabalhem as habilidades auditivas deficientes, e o uso de estratégias compensatórias, como uso de pistas visuais, contextuais e linguísticas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Aplicação do Método Padovan na Neonatologia
Tipo: Ações - implementadas ou em fase de implementação
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Objetivo
Divulgar como a Reorganização Neurofuncional pode contribuir para reestabelecer a sucção de recém-nascidos que sofreram asfixia perinatal, evitando gastrostomia e abreviando o tempo de internação hospitalar.

Resultados Esperados
Recuperar a sucção, com coordenação de deglutição e respiração, retirar sonda orogástrica, evitando gastrostomia.

Descrição sucinta
A Reorganização Neurofuncional (RNF), também conhecido como ?Método Padovan? foi desenvolvido por Beatriz Padovan, fonoaudióloga, no início da década de 70, com base nos estudos de Rudolf Steiner sobre a interrelação entre as três atividades humanas de andar-falar-pensar, e nas pesquisas do neurocirurgião Temple Fay sobre organização do Sistema Nervoso. Os mais recentes dados sobre a plasticidade neural, capacidade que tem o sistema nervoso de se tornar funcional, de se recuperar e de aprender, ratificam e justificam o método. São realizados exercícios corporais e de reeducação das Funções Reflexo-Vegetativas Orais (respiração, sucção, mastigação e deglutição) para recuperar funções perdidas ou nunca adquiridas e ainda preparar o organismo para que possa adquirir funções e capacidades para as quais tenha potencial. Indicado para todas as idades, como método curativo, preventivo ou de manutenção do Sistema Nervoso. Porém, não existe registro na literatura do uso do método em recém-nascidos. O método pode ser realizado por qualquer profissional da saúde, de nível superior, que tenha realizado o curso. No Hospital Municipal São Lucas, em Juazeiro do Norte-CE, o método é aplicado, desde 2008, pela Dra. Lilianny Pereira (pediatra e neonatologista) e pela Dra. Daniele Vileicar (fisioterapeuta cardio-respiratória), de forma voluntária.

Resultados Obtidos
Os 2 primeiros pacientes que receberam a terapia, já estavam no Hospital há mais de 2 meses, se alimentando por SOG, em fonoterapia, sem sucesso, já tendo sido indicado a gastrostomia para poder receber alta. Após iniciada a terapia, em torno de 15 dias os pacientes começaram a sugar e receberam alta, sem necessidade da gastrostomia. Nesses casos as terapias foram iniciadas tardiamente porque ainda não tínhamos experiência e estávamos fazendo o curso. A partir desses casos, começamos a instituir a terapia assim que detectamos a ausência de sucção. Até agora 8 pacientes receberam a terapia, todos com sucesso.

Trecho retirado do site WWW.medicalservices.com.br/premiomedicalservices

sábado, 3 de julho de 2010

Blog de acadêmicos de Fonoaudiologia



As estudantes Aline Leal, Ana Paula Carralas, Flávia Sampaio, Greisieli Duarte, Inês Rebello, Kelly Teixeira, Marina Passos e Thais Perrut, cursando o 2º período de graduação em Fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA) - campus Tijuca, criaram o blog “Falando de Fonoaudiologia”. O objetivo das acadêmicas é divulgar assuntos relacionados à ciência, informando aos interessados e aos internautas de maneira geral sobre os mais variados temas e conhecimentos que englobam a profissão. Para isso, lançam mão de entrevistas, artigos, comentários das próprias estudantes, tudo feito, segundo elas, “com os devidos cuidados, após discussão em equipe”. O CREFONO1 parabeniza as futuras profissionais pela iniciativa e comemora o surgimento de mais um canal de divulgação da categoria que, com a participação efetiva de todos, cada vez mais se torna a Fonoaudiologia que queremos.

Dislexia

UFRJ é eleita centro de referência em dislexia



O ambulatório de Transtornos da Língua Escrita, da Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi selecionado em abril como Centro de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Dislexia e Problemas de Aprendizagem. A seleção foi feita pela Organização da Sociedade Civil (ONG) Instituto ABCD, braço nacional de ONG inglesa dedicada ao atendimento e incentivo a pesquisas voltadas para o distúrbio. Ano passado iniciou-se a seleção em todo o país nas áreas de dificuldades escolares, especificamente em dislexia, e os projetos foram avaliados por um comitê consultivo composto por alguns dos maiores especialistas do mundo: Hugh Catts (University of Kansas - EUA), Linda Siegel (University of British Columbia - Canadá), Leonard Katz (University of Connecticut - EUA), Margaret Malpas (British Dyslexia Association - Reino Unido) e José Morais (Université Libre de Bruxelles - Bélgica). Apenas cinco centros de referência foram eleitos. Cada um receberá recursos e capacitação técnica para desenvolvimento de projeto com duração de três anos. O trabalho da UFRJ é coordenado pela Dra. Renata Mousinho (CRFa 6386-RJ) e inclui prevenção, intervenção, capacitação de professores, apoio às famílias e diagnóstico interdisciplinar. Além da UFRJ, foram escolhidos outros quatro programas de instituições de São Paulo - a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, UNESP de Marília/Botucatu, Instituto CEFAC e Faculdade de Medicina ABC. Os interessados em participar do projeto da Universidade Federal do Rio de Janeiro devem ligar para (21) 3873-5609 begin_of_the_skype_highlightingend_of_the_skype_highlighting e agendar visita para o processo de triagem, realizado segundas e quartas-feiras, de 8h às 12h, no Serviço de Fonoaudiologia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (Avenida Venceslau Brás, 95, Campus da Praia Vermelha).

Esclerose Lateral Amiotrófica

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Questão de Terminologia

Esclerose é um termo genérico que significa endurecimento e cicatrização. Esclerose lateral refere-se ao endurecimento da porção lateral da medula espinhal decorrente da morte dos neurônios motores superiores (neurônios da região cortical, mais precisamente no giro pré-central – área motora).

A significa não. Mio refere-se a músculo. Atrofia é um termo médico usado quando alguma coisa torna-se menor ou se enfraquece.

Amiotrófica refere-se à fraqueza dos músculos que se tornam atróficos devido à morte dos neurônios motores inferiores (originados da porção anterior ou ventral da medula espinhal).

Esclerose Lateral Amiotrófica significa fraqueza muscular secundária a comprometimento dos neurônios motores.

CLASSIFICAÇÃO E QUADRO CLÍNICO

Dois tipos de neurônios motores são afetados na ELA: neurônios motores superiores (NMS) ou primeiro neurônio (células de Betz), os quais estão localizados na área motora no cérebro, e neurônios motores inferiores (NMI), ou segundo neurônio, que estão localizados no tronco cerebral e na porção anterior da medula espinhal.

Os NMS regulam a atividade dos NMI, através do envio de mensagens químicas (neurotransmissores). A ativação dos NMI permite a contração dos músculos voluntários do corpo. Os NMI no tronco cerebral ativam músculos da face, boca, garganta e língua. Os NMI na medula espinhal ativam todos os outros músculos voluntários do corpo, tais como aqueles dos membros (superiores e inferiores), tronco, pescoço, bem como do diafragma.

O diagnóstico clínico é baseado nos sítios topográficos iniciais de comprometimento no sistema nervoso (neurônios motores superiores, neurônios motores no tronco cerebral e neurônios motores espinhais). O comprometimento de cada um dos sítios topográficos é caracterizado pela presença de sinais e sintomas característicos:

Disfunção do Neurônio Motor Superior

- Fraqueza

- Reflexos tendíneos vivos

- Presença de reflexos anormais

Disfunção do Neurônio Motor Inferior

- Fraqueza

- Fasciculações

- Atrofia

- Atonia

- Arreflexia

Disfunção dos Neurônios Motores do Tronco Cerebral

- Disfagia

- Disartria

A classificação das DNM depende de vários critérios, incluindo síndrome clínica, com predominância de envolvimento dos tipos de neurônios motores, alterações morfológicas, padrão de herança, achados eletrofisiológicos e anormalidades bioquímicas e imunológicas.

Esclerose Lateral Primária (ELP)

A ELP, doença pura do NMS, se caracteriza por surto insidioso, de evolução lenta, sem história ou evidência de envolvimento e qualquer outra parte do sistema nervoso exceto os tratos córtico-bulbar e córtico-espinhal. Não há evidência, pelo menos nas etapas iniciais da doença, de comprometimento, tanto clínico quanto eletroneuromiográfico, do NMI. Clinicamente manifesta-se com quadriparesia espástica, reflexos tendíneos profundos exaltados, sinal de Babinski bilateral, disartria espástica e labilidade emocional (quadro pseudobulbar).

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

A ELA se caracteriza por paralisia progressiva marcada por sinais de comprometimento do NMS (clônus e sinal de Babinski) e do NMI (atrofia e fasciculações). É a forma mais comum das doenças do neurônio motor e, por isso, freqüentemente, o termo ELA é utilizado indistintamente para as outras formas de DNM. O envolvimento predominante é o da musculatura dos membros (membros superiores mais que os inferiores), seguindo-se comprometimento bulbar, geralmente de caráter assimétrico. Muitas vezes, precedendo ou seguindo-se a instalação dos sintomas os pacientes queixam-se de cãibras.

Fraqueza, atrofia e fasciculações nos membros são os sinais clínicos mais proeminentes. Mais tarde, são afetadas as funções vocais e respiratórias. Os nervos cranianos, que controlam a visão e os movimentos oculares, e os segmentos sacros inferiores da medula espinhal, que controlam os esfíncteres, não são usualmente afetados.

TRATAMENTO:

Na atualidade, não há cura para a ELA. Os mais variados tratamentos já foram tentados, incluindo-se antioxidantes, bloqueadores do canal de cálcio, agentes antivirais, inibidores da excitotoxicidade, plasmaférese e imunossupressores, mas não houve uma mudança significativa na história natural da ELA.

A média de sobrevivência após o início dos sintomas é de 3 a 5 anos. Na forma com envolvimento bulbar (Paralisia Bulbar Progressiva) a sobrevivência é menor, variando de 6 meses a 3 anos.

Há, por outro lado, pessoas que vivem mais do que dez anos com a doença. Destaca-se a longevidade de Stephen Hawking, que a despeito de um prognóstico reservado dado em 1964, quando tinha 21 anos de idade, ele continua vivo e produtivo, mesmo com todas as limitações que a doença impõe.

Reabilitação: (misteriosamente não foi citado no site a importância da terapia fonoaudiológica para pacientes com ELA).

A fisioterapia motora e a fisioterapia respiratória assumem uma enorme importância no contexto do tratamento da ELA. Ressalta-se em um estudo internacional a importância de um programa diário de exercícios orientado pelo fisioterapeuta, a cada 15 dias, mas realizado em casa pelo próprio paciente e sua família, com exercícios moderados, sem resistência, com tempo não ultrapassando 15 minutos/sessão em alguns trabalhos ou de 30 minutos em outros. Exercícios prolongados ou excessivos poderiam levar a fadiga ou até maior degeneração do motoneurônio.

Preconiza-se assistência manual e mecânica à tosse e introdução precoce da assistência ventilatória não invasiva (AVNI). Respeitando-se a autonomia do paciente, a AVNI poderá ser feita sob máscara com aparelho de pressão positiva (BiPAP). O ponto crucial da assistência ventilatória é a sua introdução precoce que permite melhorar a qualidade e a duração da sobrevida de pacientes com ELA. Inicialmente, preconiza-se o limite da queda de 50% da capacidade vital forçada (CVF) para a introdução da assistência ventilatória. Atualmente, porém, sabe-se que antes desse valor já ocorre hipoxemia noturna e diminuição da pressão respiratória máxima.

Disartria

Afeta cerca de 80% dos indivíduos com ELA, causada por atrofia e fraqueza da língua, dos lábios, dos músculos faciais, da faringe e da laringe.Manifesta-se, inicialmente, com rouquidão, voz débil, falta de vocalização, resultando, em uma fase final, anartria.Há necessidade de auxílio terapêutico o mais precoce possível, para orientação de estratégias de comunicação.

Disfagia e Desnutrição:

A disfagia afeta cerca de 60% dos pacientes, causada por paralisia e atrofia dos músculos bulbares, devido ao comprometimento dos nervos glossofaríngeo, vago, acessório e hipoglosso.Manifesta-se clinicamente com perda da capacidade para mastigar, impulsionar a comida com a língua e formar o bolo alimentar. Há perda do reflexo de engolir. Como resultado final há desidratação e perda de peso, aspiração e infecções pulmonares recorrentes e piora da capacidade respiratória. Para o seu tratamento há necessidade de atuação multiprofissional (fonoaudiólogo, nutricionista, gastroenterologista) rápida e coordenada. A sialorréia, muito frustrante para o paciente, pode ser tratada com uso de atropina (0,3 a 0,6 mg 2x ao dia), hioscina (0,3 mg 3x ao dia) ou amitriptilina (25 mg ao dia). Nas situações de desnutrição e pneumonia aspirativa recorrente, recomenda-se o uso de sonda enteral ou de realização de gastrostomia endoscópica.

Dispnéia

Fraqueza dos músculos da respiração (intercostais, diafragma, abdominais) é o problema mais grave durante a evolução da doença. O paciente começa a apresentar uma respiração mais curta e ter dificuldade para tossir. O acúmulo de secreção na árvore brônquica precipita irritação respiratória e infecção, justificando-se as pneumonias mais freqüentes nestes pacientes, sobretudo quando houver disfagia (broncoaspiração). A cefaléia matutina e o sono entrecortado já são sinais de comprometimento da função respiratória, relacionados com incremento gradual de CO2. Um maior incremento deste gás causa medo, ansiedade, pânico e, até, estado confusional. Acompanhamento com fisioterapeuta respiratório torna-se necessário para orientações e exercícios respiratórios apropriados, diários. Evitar quadro de fadiga muscular, durante o tratamento, propor exercícios de baixa resistência, com baixo número de repetições, respeitando o limite do paciente.

Texto retirado do site da ABRELA www.abrela.org.br

Caso clínico:

MLF, 53 anos, procurou meus serviços profissionais em dezembro de 2009, depois de ter feito videolaringoscopia no mês de setembro por causa de disfonia, o exame revelou fenda posterior nas PPVV; depois disso, ela foi atendida durante 2 meses por uma fonoaudióloga e relatou não ter sentido melhora na qualidade da voz. Em janeiro, consultou-se com um Especialista de Cabeça e Pescoço, o mesmo fez uma videolaringoestroboscopia, cujo exame revelou mobilidade normal das PPVV, coaptação completa das PPVV, leve assimetria em onda mucosa, periodicidade normal, amplitude reduzida, ausência de alterações laríngeas compatíveis com o quadro vocal.

Após a realização da Avaliação, encaminhei-a ao neurologista, onde a mesma fez ECG, RM, TC, ENM e ENM de repetição. Os exames não foram conclusivos para nenhuma doença degenerativa.

Resumo da Avaliação Fonoaudiológica (em 07/01/2010):

a) Respiração:

Irregular, arrítmica, tipo mista.

Tempo máximo de fonação: 12 segundos.

Coordenação Pneumo-fono-articulatória: prejudicada.

b) Mastigação:

Com movimentos verticais. A formação do bolo alimentar estava incorreta na forma, consistência e posição para o ato de deglutir. A mastigação foi realizada dos dois lados.

c) Deglutição:

Alterada. Apresenta dificuldades em deglutir líquidos, relata que é freqüente esgasgos ao alimentar-se. Apresenta incoordenaçao dos músculos envolvidos na mastigação e deglutição.

d) Articulação:

Apresenta imprecisão articulatória.

Dificuldade em articular fonemas fricativos, vibrantes, em grupos de /r/ e /l/.

B. Impressão Diagnóstica:

Os resultados demonstram que MLF apresenta Deglutição Alterada (provável disfagia), hipofunção de língua, lábios e bochechas, imprecisão articulatória, incoordenaçao Pneumo-fono-articulatória.

Data: 09/05/2010

MLF foi diagnosticada pelo neurologista, Dr. Glieb Avelar Pereira, como sendo portadora da doença Esclerose Lateral Primária. A mesma apresenta incoordenação da musculatura que envolve a respiração e deglutição, disartria, disfagia.

A paciente está sendo acompanhada por equipe interdisciplinar composta por fonoaudióloga, fisioterapeuta respiratório, neurologista e clínico geral, na medida de sua necessidade. Começou o tratamento medicamentoso das drogas habituais e ortomoleculares. Observou-se melhora em todas as queixas.

No mês de março encaminhei-a ao fisioterapeuta respiratório, visto que a dificuldade respiratória era grande; após algumas sessões observava grande melhora no quadro geral, maior disposição global, capacidade para tossir e diminuição nos engasgos (que já eram frequentes).

Na terapia Fonoaudiológica, trabalhamos proteção de vias aéreas, exercícios articulatórios visando manutenção da coordenação da deglutição, controle articulatório (MLF está disártrica desde março, é muito difícil a comunicação verbal).

terça-feira, 22 de junho de 2010

Resolvi fazer um espaço para as discussões sobre os temas mais discutidos em fonoaudiologia, esse espaço está aberto às discussões de casos, dúvidas e informações à respeito da terapia fonoaudiológica.